segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Autoconhecimento
O autoconhecimento é mais íntimo àqueles que quebram protocolos, viajam sozinhos, trocam o barzinho da Sexta à noite por um banho de mar na madrugada. O autoconhecimento é amigo dos que largam-se no mundo com a cara e a coragem. Dos que não planejam tanto.
Não estou dizendo pra ninguém ser totalmente despudorado e fazer da própria vida uma enorme passarela de asneiras em prol de autoconhecimento. Porque aí passaria a ser autodestruição. Mas arrisco: isso, em certa quantidade, contribui pra vivacidade.
E sim, autoconhecimento é (ou deveria ser) aquilo que resulta de longas, frequentes e boas sessões de terapia. Mas aí não tem vento no rosto. E nem céu estrelado.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Interativos demais. E de menos.
domingo, 18 de agosto de 2013
O segredo
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Em nossas línguas
sábado, 3 de agosto de 2013
Inimigos do sexo
Muitos desses repreendedores (mães, pais, avós, geralmente) nem sabem qual a origem das ideias conservadoras que seguem. Seguem apenas porque acham que é o correto, porque aprenderam dessa forma. E repreendem seus filhos/netos adolescentes quando estes são pegos assistindo a filmes que contém cenas de sexo, quando estão conversando com amigos sobre o assunto, etc. A verdade é que essa repreensão exagerada e chata a qual muitos são submetidos tem origem na noção de pecado original ensinada pelos fundamentalistas religiosos. Não é de forma alguma errado sentir prazer no sexo, falar sobre o assunto abertamente, seja com os amigos, seja dentro de casa. Como repreender algo instintivo e completamente natural do ser humano? Esse conservadorismo tosco é o responsável por todos os "piranha!" que uma mulher tem que aguentar. Desse conservadorismo tosco surge a vergonha dos adolescentes de se abrirem com os pais, pedir conselhos e opiniões. Desse conservadorismo tosco surge uma gravidez totalmente surpreendedora causada pela falta de diálogo, pela falta de informação. E para os que acham exagero: essa semana soube do caso de uma adolescente que estava em dúvida se a pílula anticoncepcional deveria ser inserida na vagina ou se ela deveria tomar uma e o parceiro outra. Não duvido que ela tenha sido chamada de "burra" ou de coisas piores. Acontece que a culpa não é dela. Alguém tem dúvida de que faltou informação? Alguém tem dúvida de que faltou conversa entre ela e os pais? Alguém tem dúvida do motivo pelo qual essas conversas não aconteceram? Não aconteceram porque, para muitos, e creio que para a família dela, é vergonhoso falar dessas coisas. Essas coisas... Sabe essas coisas que todos nós fazemos ou vamos fazer um dia? Sabe essas coisas que deveriam ser tratadas com toda a naturalidade do mundo? Então, essas coisas são vergonhosas. É vergonhoso falar do próprio corpo. É vergonhoso demonstrar desejo. É vergonhoso a aparição de seios na TV. É vergonhoso praticar o sexo casual. É vergonhoso se masturbar. É vergonhoso.
Um dia não será mais. Um dia.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Antes que o mundo acabe
Antes que o mundo acabe eu quero falar sobre esses medos que reverberam em nossas faces. Quero sair na rua e sorrir pra cada um que passar por mim. Antes que o mundo acabe eu quero pisar na lua e beijar o sol. Quero sair de casa a caminho de lugar nenhum. Ser, ter e fazer. Eu quero conhecer o lado mais obscuro do bondoso. Quero desatar, um a um, os nós dessas mentes fechadas e queimar as amarras. Antes que o mundo acabe eu quero chorar diante de um quadro e rir do triste. Quero falar de filmes que vi e sofrer a dor do desconhecido. Abraçar o inimigo. Antes que o mundo acabe eu quero ouvir o que o asfalto das ruas barulhentas tem a dizer. Quero beber o sólido e mergulhar no concreto, subir pra baixo, me fazer outro e me estranhar. E me abraçar. Antes que o mundo acabe eu quero entrar nu na igreja e pedir a benção ao padre. Quero discutir sobre sexo com freiras e sobre amor com putas. Antes que o mundo acabe eu quero perguntar se ele tem medo da morte. Quero que me conte o que viu, o que fui, o que fomos. E no final de tudo, só espero ter certeza de que pra ele fui importante.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
O texto 3
Acho que não sei mais escrever. O que eu vou ser agora? Eu não sou nada sem os textos, e também eu não sou nada sem você. Você tá assim tão longe... Eu tô aqui. E talvez eu não estivesse mesmo. Mas o que é que eu ia dizer?
Apesar disso, era difícil acreditar que ela pudesse simplesmente desaprender a escrever. As palavras continuam ali, sabe? Só precisam ser reorganizadas diferente. E ela ainda sabia fazer isso. Pelo menos era nisso que eu acreditava.
Então disse que ela ainda sabia escrever. Era só continuar tentando.
Não vai dar certo, eu sei. E você sabe. Não vai. Eu não sei mais. Eu nunca servi pra nada.
Ela realmente não acreditou, mas voltou a escrever. E continuou me amando como sempre amou. Me disse que eu seria a sua inspiração e escreveu um texto que não a satisfez. Escreveu três. Infeliz consigo, e feliz com minha companhia. Ela suspirou e foi dormir.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Também quero um pouco de inferno
É bem difícil escolher entre ordem e caos. Eu sou o centro da desorganização mas gosto das minhas coisas do meu jeito. Gosto de quarto arrumado e até vibro quando estou sozinho em casa. Nos braços do silêncio. No entanto, não saberia viver longe disso aqui. Das ruas que falam e não falam pouco, dos carros que gritam e gritam alto, de ouvir línguas que nem sei dizer quais são ao caminhar pelo meu bairro, das músicas estrondantes vindas de prédios, casas, bares e boates pela manhã, tarde, noite ou madrugada, dos sinais que demoram pra fechar e atordoa todos que ali estão parados, olhando pra seus relógios. Mas que gente atrasada, que gente apressada. Mas quanto prédio, quanta luz. Uma fila tão grande em frente ao cinema, uns olhares tão fixos em vitrines. Esses mil encontros marcados e desmarcados por dia, esses restaurantes lotados, essas risadas exageradas, esses gritos, essa cobradora de ônibus mau humorada, esse pipoqueiro simpático, esse mercado lotado e essa calçada molhada. E meus pés cansados. Não quero ordem pura. Sabe aquele que "knock on heaven's door"? Então. Não sou eu. Eu também quero um pouco de inferno.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Conversa de botas batidas
Tua alma ficou lá fora, menina. Se olhares pela janela talvez ainda a vejas. Converso com teu corpo. Tu já não existes.

