sexta-feira, 21 de março de 2025

Cristal

Monto a vida pra poder quebrar de novo.
Refaço meu mosaico, teço meus fios de ouro. 
E nada me impede de arremessar o jarro ao chão.
De novo.

Jarro onde por vezes jasmim, 
retumba em estilhaços,
do chão cru toma abraço 
em cacos miúdos de mim. 

Assim:
cresço, floresço, resplandeço.
Murcho, desmorono, enlouqueço. 

Em armadilhas do eu,
em dias de grande estorvo,
mais uma vez me sublinho:

quebro a vida
pra poder montar de novo.