domingo, 18 de agosto de 2013

O segredo

Você passa dias e dias em sua casa. Em seu quarto. Em sua cama. Você lê bons livros e faz anotações inteligentes. Você ouve boa música, aprende sobre um novo assunto, faz pesquisas úteis, assiste televisão e usa algum aparelho para a comunicação com seus amigos intocáveis. Você senta e escreve coisas não muito boas. Se diz escritor e não se acha bom no que faz. Tem algum segredo? Escreve e apaga. E grita. E escreve de novo.

Você desiste. Se irrita e sai do quarto. Sai de casa. Vai para o mundo.
E então você vê. Você presencia. Sente. Toca. Vive.
Você volta. Escreve. E sorri.

Vê? O segredo tá aí. 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Em nossas línguas

Em nossas línguas um grande não dizer. E um dizer sem querer. Em nossas línguas todo o desagrado reprimido e o agrado não admitido. Em nossas línguas coisas mortas que não caem no esquecimento de alguns. Em nossas línguas as feridas daqueles que nos ouviram e chatearam-se. E os sorrisos dos que alegraram-se. Em nossas línguas borboletas. Leves, admiráveis. Lindas. Em nossas línguas enormes espadas. Pesadas, intimidadoras. Cortantes. Em nossas línguas o que sabemos. E o que não sabemos também. Em nossas línguas um eterno medo. E uma eterna coragem. Em nossas línguas o sabor da vida.

sábado, 3 de agosto de 2013

Inimigos do sexo

Quero falar aqui sobre algo que me incomoda profundamente há um bom tempo. Quero falar sobre essa repreensão do instinto sexual, que já foi muito mais severa e acontece até os dias de hoje.

 Muitos desses repreendedores (mães, pais, avós, geralmente) nem sabem qual a origem das ideias conservadoras que seguem. Seguem apenas porque acham que é o correto, porque aprenderam dessa forma. E repreendem seus filhos/netos adolescentes quando estes são pegos assistindo a filmes que contém cenas de sexo, quando estão conversando com amigos sobre o assunto, etc. A verdade é que essa repreensão exagerada e chata a qual muitos são submetidos tem origem na noção de pecado original ensinada pelos fundamentalistas religiosos. Não é de forma alguma errado sentir prazer no sexo, falar sobre o assunto abertamente, seja com os amigos, seja dentro de casa. Como repreender algo instintivo e completamente natural do ser humano? Esse conservadorismo tosco é o responsável por todos os "piranha!" que uma mulher tem que aguentar.  Desse conservadorismo tosco surge a vergonha dos adolescentes de se abrirem com os pais, pedir conselhos e opiniões. Desse conservadorismo tosco surge uma gravidez totalmente surpreendedora causada pela falta de diálogo, pela falta de informação. E para os que acham exagero: essa semana soube do caso de uma adolescente que estava em dúvida se a pílula anticoncepcional deveria ser inserida na vagina ou se ela deveria tomar uma e o parceiro outra. Não duvido que ela tenha sido chamada de "burra" ou de coisas piores. Acontece que a culpa não é dela. Alguém tem dúvida de que faltou informação? Alguém tem dúvida de que faltou conversa entre ela e os pais? Alguém tem dúvida do motivo pelo qual essas conversas não aconteceram? Não aconteceram porque, para muitos, e creio que para a família dela, é vergonhoso falar dessas coisas. Essas coisas... Sabe essas coisas que todos nós fazemos ou vamos fazer um dia? Sabe essas coisas que deveriam ser tratadas com toda a naturalidade do mundo? Então, essas coisas são vergonhosas. É vergonhoso falar do próprio corpo. É vergonhoso demonstrar desejo. É vergonhoso a aparição de seios na TV. É vergonhoso praticar o sexo casual. É vergonhoso se masturbar. É vergonhoso.

Um dia não será mais. Um dia.