quarta-feira, 16 de março de 2016
Combustão
segunda-feira, 7 de março de 2016
Ode ao álcool
sábado, 21 de novembro de 2015
Te vivo
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Meu acerto
Bela,
Te levo comigo
no peito e nos olhos,
e no vago dos minutos tranquilos.
Te esqueço e depois resgato,
me perco e depois me acho
em passos leves e despreocupados
que surgiram depois de ti.
Tu é meu antídoto semanal,
é minha cura do mal
e meu refúgio de mim.
Tu é errado como minha gramática,
te ponho em prática
e soa melhor assim.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Castelo de cartas
Eu vivo na calma das horas, nas brechas dos dias, nas sombras lá fora. Meus fantasmas são esculpidos com exímio talento e guardados detrás da estante, embaixo da cama, dentro do sótão da consciência.
E apesar do meu olhar caído em manhãs indigestas, apesar dos gritos internos de horror em noites claras, o que os ofereço é apenas um pouco mais do que surdez e cegueira cínicas. Se debatem em intenso desespero enquanto os cubro com lençóis vagabundos e mal confeccionados, que comprei num mercado de ilusões baratas.
Os buracos se abrem no tecido fino e passo a costurar retalhos de pensamentos aleatórios num espectro cinza embaçado. Remendando remendos, enganando a qualquer um exceto a mim.
Espero algumas respostas me pegarem no colo e a elas me ato. Num nó cego, num nó farto. Mas a linha logo arrebenta, ela sempre arrebenta. O submundo Consciência deixa o preto e branco pra trás e passa a ser vivo. Vermelho sangue, amarelo sol. E eu vou a baixo, numa queda fragmentada, numa queda justa, pelo precipício que ajudei a construir.
domingo, 26 de abril de 2015
O gato
O sol lá fora já me conhece,
Se entristece,
Mas tem a virtude da constância, que desconheço.
Dou as costas, dou de ombros, bato o rabo,
Destruindo almofadas de enfado,
Percorrendo um corredor em duas horas.
E Tento escondê-las embaixo da areia
Que me sobrecarrega pela manhã e à tarde,
Na volta e na ida.
Esses trabalhos fartos,
Que por vezes me castram de prazer.
Busca o fantasma atrás da porta,
E um dia ainda vomito
Tudo o que me faz sofrer.
terça-feira, 3 de março de 2015
Minhas mais sinceras retóricas
Pra exemplificar, o caso mais fresco e que despertou comoção nacional foi o de Chauan Jambre Cezário, jovem negro de 19 anos, que foi baleado e teve seu amigo, Alan De Souza Lima, morto por policiais militares numa favela de Honório Gurgel, subúrbio do Rio. Não bastasse o ocorrido, os policiais implantaram falsas provas ao local do crime e alegaram tratar-se de um confronto com bandidos armados. Entretanto, para o imenso e muito bem-vindo azar dos verdadeiros bandidos da história, os dois jovens gravavam um vídeo, por diversão, no momento da ação policial. Vídeo esse que, mesmo com o celular caído no chão, continuou sendo gravado e serviu como prova da inocência de Chauan.
Esse caso é só mais um no meio de tantos outros que não recebem a devida visibilidade, tamanha é a frequência desse tipo de coisa. Assim como é frequente casos de homossexuais sendo agredidos e assassinados e mulheres sendo espancadas até a morte por seus maridos. Nada disso é novidade, nada disso é raro. E ainda assim nos choca, nos aterroriza.
Mas a pergunta que não quer calar é: isso basta? Ficarmos chocados com essas notícias e soltarmos meia dúzia de frases de horror vai fazer com que esses eventos deixem de acontecer com absurda frequência? Casos como o de Chauan merecem muito mais de nós do que uma testa franzida diante de um telejornal. O que estamos fazendo a respeito disso?
Quem é que está disposto a se policiar todo dia, o tempo todo, para não cometer atitudes, ainda que mínimas, racistas, homofóbicas e sexistas? Quem é que está disposto a ser o chato da galera e repreender o autor de piadinhas desses gêneros? Pra alguns, pode parecer uma enorme de uma bobagem fazer esse tipo de coisa, adotar esse tipo de comportamento. Entretanto, mais uma vez questiono: onde é que têm origem os crimes de ódio, senão nas pequenas atitudes preconceituosas do dia a dia?
Negros ainda morrem por serem negros, homossexuais morrem por serem homossexuais e mulheres por serem mulheres. Mas como as coisas não existem porque existem, como elas não têm início e fim num vácuo, há, por detrás de todo crime de ódio, um sistema social que funciona à base daquelas pequenas atitudes e piadinhas, à base de produtos midiáticos nocivos à igualdade de direitos e, dentre outras coisas, um governo altamente negligente em relação a essas causas, o que acaba por nos afirmar que elas realmente não são tão importantes assim.
O subconsciente social formado a partir de tudo isso pode ser assustador. Como crianças tendem a reproduzir os exemplos de seus pais, nós aprendemos e reproduzimos os mecanismos do meio social. Elucidando ainda mais a questão, é como se o conjunto de relações, comportamentos e ideias de designações racistas, homofóbicas e sexistas, ao qual estamos expostos o tempo inteiro, fosse a carga, a energia, a catapulta do cometedor de crimes de ódio. Grande Mandela estava certíssimo: ninguém nasce odiando ninguém.
Por isso, do alto de toda minha indignação, de todo meu horror e lamento, pergunto mais uma vez, porque acho que devo, porque acho necessário, porque é urgente: o que estamos fazendo, que atitudes estamos tomando, diariamente, para tentar reverter essas situações?
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Afoito amargor
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Remissões
Pelo sofrimento inevitável causado num por outro, perdão.
Pelos esbarrões atrapalhados, desculpa.
Pelas mentiras bem contadas, perdão.
Por não comprar o presente, desculpa. Por esquecer o aniversário, perdão.
Desculpa por entrar sem bater e perdão por jamais querer entrar.
Desculpa pela demora da resposta. Perdão por não querer falar.
Desculpa por muita, muita coisa. Perdão apenas pelo que importa.
Desculpa o pequeno desencontro, a casa bagunçada, o riso inconveniente. Perdoa a humilhação, as verdades falsas, quem de ódio tá doente.
Desculpa, enfim, tudo o que passa. Perdoa, então, o que perdura.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Mergulho
Cada curva de tuas costas,
As omoplatas, a nuca.
Um vulcão ativado nas vísceras
E labaredas em olhos cálidos.
Dá lenha, dá ar,
Tenta apagar.
A boca nervosa
Que amordaça a consciência
E uma ereção no transporte público.
As flores que nunca cheirou,
As merdas que nunca comeu,
As drogas que nunca usou.
Te joga no lago misterioso
Dessa alma pouco explorada.
Afoga-te.
Vá ser turista de ti.