terça-feira, 4 de julho de 2017
Por Felipe Domingues
Te nomear num traçado de estrelas
Em vez de Igor
Te chamar céu da noite
Livro de poesia
Escritor
Suco de uva
Gozo
Amor, por que não?
Te recriar nuns arco-íris da alma
Nuns possíveis construir teu nome
E cantar teus nomes perecíveis
Lua
Doce
Torta de limão
Gato
Por que não?
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Didática
domingo, 2 de abril de 2017
Erupção cardíaca
Arrombou então, pois não espera.
Chega e invade.
Adentra.
Toma.
Molha, inunda, enche.
Borbulha.
Transborda.
Queima.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Recado
Desculpe meus silêncios desatentos e meus olhares longíquos. É que eu coleto coisas simples e leves por aí. E disseco e devoro coisas outras. Volto na linha do tempo que passa por mim e costuro por cima dela, desfaço e refaço uns pontos, espeto o dedo na agulha e sangro vez ou outra. Tenho saudades de tempos não tão distantes... Eu os resgato e os penduro em meus ombros sempre que posso. Me perturbam o medo, a saudade, a paixão e eu mesmo. Me consolam os pensamentos de ti, os pensamentos de um futuro bom. Me melhora você aqui, seu jeito, sua graça, seu tom.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Nuvem
E pode ficar por aí. Vou te olhar a vontade durante os dias e conhecer tuas cores, teus modos e estados. Transforma-te no que quiseres e enfeita esse meu campo de visão, esse meu período de tempo, a minha vida aqui e agora. Preenche esse céu que chamo de meu, porque afinal cada um tem o seu. Passeia por ele pintando tuas nuances e desfilando tua bagagem, tua história, tua carga... Que sei que por vezes se faz maior, fica pesada. Sei dos tons escuros e dos trovões que podem assolar alguns dos teus dias. Sei que às vezes o cinza aperta, faz a festa, e tudo em ti liquidifica.
Nesses dias, os de iluminação anêmica, quando és menos algodão e mais água, menos flutuante e mais denso, quando já não sustentas toda aquela carga, eu aqui do meu canto, assistindo teu peito enchendo, teu choro crescendo e querendo cair, mando um aviso pelo vento:
pode chover em mim.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Abrindo o coração
Queria eu poder falar de sentimentos sem tremer na base. Queria eu poder te guiar por uns becos largos do meu coração sem que eles, teimosos, chacoalhassem suas paredes meladas e me fizessem arrepiar de ponta à ponta.
Não sei se sou bom em apresentar o que quer que seja, mas faria um esforço pra te fazer passear por cada uma dessas cavidades chafurdadas em coisas que o tempo deixou e deixa. Bom... esse senhor já me trouxe alguns presentes extraordinários e eles já estão eternizados em minha parede de boas recordações. Outros, porém, apenas guardo, e quando ele me permite vou lá dar uma olhada e tentar transformar em algo bom ou minimamente tragável.
Quando estiver por aqui, por essas ruas de vermelhidão sangrenta, verá caixas abertas repletas de coisas sublimes disponíveis a ti e a tantos outros. Eu posso até jurar que não sou nem um pouco mesquinho com nada disso. Então pegue, leve, faça ótimo proveito.
Preciso te contar também sobre os pântanos e sobre um sangue mais escuro que jorra numas noites não tão boas. Não se assuste com as marcas que ainda não receberam a graça do tempo e não podem ser chamadas de cicatrizes. Você poderá me ajudar se quiser, se souber, se puder. E eu farei todos os esforços pra amordaçar a droga do orgulho.
Ah, e que processo complicado todo esse aí. Isso é pra quem gosta de se aventurar de verdade. E não te demores nos braços do medo, ele que às vezes gosta de abraçar e não soltar nunca mais.
Por fim, se formos bem sucedidos em tal jornada, se sentirá um pouco mais em casa aqui dentro, aqui no fundo. E terá total aptidão pra perambular por aqui sozinho.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Mar
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Devaneio-me
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Lua
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Pequenas infelicidades
A chuva, quando marcamos de ir à praia, e o dia lindo, quando temos um dia de trabalho pela frente.
A chave que quebra dentro da fechadura e o arroz que queima por baixo.
A bateria do celular fraca quando precisamos sair as pressas.
Um ovo quebrado na caixa e a pedra de gelo caída ao pé da geladeira.
A campainha tocando quando se pega no sono.
Guarda-chuvas abertos e esbarrões em calçadas estreitas.
Maçã na salada de maionese.
Comprimido entalado na garganta.
Noite sem lua.
O sinal que demora a fechar.
A moeda que cai no bueiro e a caixa que não tem troco.
Celular tocando no ônibus, no metrô, na fila de qualquer lugar burocrático.
Olheiras, terçol, espinhas.
Casa bagunçada.
A dolorosa percepção de que aquilo que fizemos com notável esforço e capricho ficou uma merda.