quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Devaneio-me
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Lua
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Pequenas infelicidades
A chuva, quando marcamos de ir à praia, e o dia lindo, quando temos um dia de trabalho pela frente.
A chave que quebra dentro da fechadura e o arroz que queima por baixo.
A bateria do celular fraca quando precisamos sair as pressas.
Um ovo quebrado na caixa e a pedra de gelo caída ao pé da geladeira.
A campainha tocando quando se pega no sono.
Guarda-chuvas abertos e esbarrões em calçadas estreitas.
Maçã na salada de maionese.
Comprimido entalado na garganta.
Noite sem lua.
O sinal que demora a fechar.
A moeda que cai no bueiro e a caixa que não tem troco.
Celular tocando no ônibus, no metrô, na fila de qualquer lugar burocrático.
Olheiras, terçol, espinhas.
Casa bagunçada.
A dolorosa percepção de que aquilo que fizemos com notável esforço e capricho ficou uma merda.
terça-feira, 24 de maio de 2016
Tempos engraçados
O tempo escorre pelas brechas
Do que quer que eu faça
E passa logo, nem disfarça
Ri de minha lentidão e desgraça
E depois se junta a mim,
Pra fazer um pouco de graça
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Felicidade
quarta-feira, 16 de março de 2016
Combustão
segunda-feira, 7 de março de 2016
Ode ao álcool
sábado, 21 de novembro de 2015
Te vivo
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Meu acerto
Bela,
Te levo comigo
no peito e nos olhos,
e no vago dos minutos tranquilos.
Te esqueço e depois resgato,
me perco e depois me acho
em passos leves e despreocupados
que surgiram depois de ti.
Tu é meu antídoto semanal,
é minha cura do mal
e meu refúgio de mim.
Tu é errado como minha gramática,
te ponho em prática
e soa melhor assim.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Castelo de cartas
Eu vivo na calma das horas, nas brechas dos dias, nas sombras lá fora. Meus fantasmas são esculpidos com exímio talento e guardados detrás da estante, embaixo da cama, dentro do sótão da consciência.
E apesar do meu olhar caído em manhãs indigestas, apesar dos gritos internos de horror em noites claras, o que os ofereço é apenas um pouco mais do que surdez e cegueira cínicas. Se debatem em intenso desespero enquanto os cubro com lençóis vagabundos e mal confeccionados, que comprei num mercado de ilusões baratas.
Os buracos se abrem no tecido fino e passo a costurar retalhos de pensamentos aleatórios num espectro cinza embaçado. Remendando remendos, enganando a qualquer um exceto a mim.
Espero algumas respostas me pegarem no colo e a elas me ato. Num nó cego, num nó farto. Mas a linha logo arrebenta, ela sempre arrebenta. O submundo Consciência deixa o preto e branco pra trás e passa a ser vivo. Vermelho sangue, amarelo sol. E eu vou a baixo, numa queda fragmentada, numa queda justa, pelo precipício que ajudei a construir.