Vai, levanta. Levanta logo.
Essa escuridão que te cerca é de papel.
Rasga. Respira. Se vira.
Não rola nessa lama que te abriga.
Não insiste no vazio do perdido.
Não nada em areia movediça.
Enfeita a casa, balança o corpo.
Come um pedaço daquele bolo.
Vem aqui fora, encanta umas coisas.
Sobe no telhado.
Olha a vida de cima.
E então cai de novo.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
Estranho
Cheguei de cara fechada, num transe lindo. Entrei no banheiro e gargalhei em frente ao espelho. No banho, olhos fechados. Me olharam. Permaneci calado. Cheguei estranho e meu corpo não conta a ninguém o porquê. Não diz onde. Não diz o quê.
domingo, 6 de abril de 2014
Robots
This morning I've got a hangover
And I've discovered my money's over
That's ok cause there's little favors and credit card
And I'm getting naked on my yard
I hope salad for lunch cause I don't want extra-weight
I want a plastic surgery and never look like sixty-eight
I wanna be thin and blond like you
Someone told me I should get out of blue
Let me get into your ferrari
Take me out for an yacht ride
I'll let you touch my body
I assure I'll reduce my pride
You've never seen me on stages
You've never seen me on the magazine
I'm always on last pages
And I don't have a "fan machine"
I feel so sad and that's all
But it will pass
Oh, it will pass
Tonight I'm going to the mall
sábado, 29 de março de 2014
Como viver no meio de Lobos?
Como acreditar na inocência alheia quando tudo parece tão perdido e errado? Como saber se o sorriso não é dissimulado, o discurso é blefe e a boa intenção, volúvel? A gente vive numa imensa alcateia. De lobos mascarados que se penduram na evolução do todo em virtude de suas particularidades. Lobos que nem ao menos esperam o anoitecer para permitir que o instinto animalesco aflore. Eles não se controlam. Mastigam o novo, estraçalham o incomum. Te matam.
sábado, 15 de março de 2014
Escrever
Inquietação. Grito silencioso. Exorcismo dos demônios. Masturbação da alma. Uma pausa de dois minutos. Três. Quatro. Intensidade oscilando. Lágrimas caligrafadas. A veia aberta sangrando.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Vazio
A noite de Quinta-feira foi tão vazia quanto ele se sentira naquele dia. E no dia anterior. E no anterior ao anterior. As frases do livro que lia já não lhe causavam a excitação de costume, as atividades que costumava fazer para preencher o tempo pareciam fracas e inúteis, os sentimentos ficavam cada vez mais frágeis, superficiais e opacos. Era como se as coisas houvessem passado para o estado gasoso e ele fosse a bexiga sem nó na qual elas deveriam permanecer. Ou pelo menos entrar pra fazer uma festa, tocar uma música, plugá-lo numa tomada sensações. Espetá-lo com uma agulha!
Sentir. Essa era a palavra que melhor soava aos seus ouvidos naqueles dias. Não desejava amar com extrema ternura, apaixonar-se cegamente, ou chafurdar em felicidade. Desejava se livrar daquela inércia interior que o consumia e transformá-la num evento incomum em seus dias.
Ele pensou demais essa semana. Foi ao banheiro e chorou em frente ao espelho. Aquelas lágrimas feitas de nada o disseram pra continuar tentando: troque o livro, ouça outro estilo musical, fale com desconhecidos, pule de um penhasco. Foda. Beba. Suma. Sai daí!
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Storm
Tente sempre evitar problemas. Mas se necessário for, encare-os. E não diga que vai ficar tudo bem o tempo todo. Porque a tempestade sempre vai embora. Mas tuas ruas podem permanecer alagadas.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Tempo
Tempo. Tu escorregando pelas entranhas de tua mãe e teus primeiros ruídos. Tempo. Tempo. O contorno de tua personalidade, tua pequena figura, questionamentos constrangedores, tua inocência cruel. Tempo. Tuas descobertas, palavrões, paixões, a primeira masturbação e teus pelos pubianos. Tempo. Sexo. Tempo. Amor, talvez. Tempo. Tempo. O mundo te engolindo e tu sorrindo, embriagando-se, caindo. Tuas obrigações, aquela reunião, um outro corpo em tua cama. Tempo. Teu sexo fraco, tuas dores, tuas varizes e exames. Tempo. Tempo. Tua pele sem visco, as unhas quebradiças, o cabelo opaco. Tempo. Teu andar arrastado, tua boca flácida, teus comprimidos acabando. Tempo. Tempo. Tua tristeza e sabedoria. A brancura de teus dias. E teus olhos se fechando.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
18
Ele não queria paz, nem silêncio. Ele não queria mais aquele contato constante com a tinta branca das paredes, com aquela cama bagunçada e com seu reflexo no espelho do banheiro. Queria transgressões libertadoras, horários confusos, dias de quarenta horas.
Mas ele tem tanto medo! E agora já tem 18. Saiu sem dizer pra onde ia, desligou o celular, falou com estranhos e falou sozinho. Falou consigo. De volta a sua casa, entrou no quarto e revirou algumas caixas, sentou-se no chão da cozinha e esvaiu-se em lágrimas. Queria mesmo era se jogar num mar de corpos vivos, permanecer exausto. Rir. Rir. Rir. E dançar com o diabo.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Alguns desejos
Que as coisas mudem para todos. Para melhor, se possível. Apesar de achar ligeiramente ingênuo e um tanto quanto inútil desejar melhoras maravilhosas, eu sei que isso todo mundo quer. E eu quase nunca acho que mudanças são ruins. E também não acho que devem sempre ser espetaculares. Espero que conheçamos gente legal, façamos novos amigos, conheçamos um novo restaurante, frequentemos lugares novos, passemos por ruas desconhecidas. Desejo mudanças.
Desejo que as pessoas estejam ao menos dispostas a ouvir as outras, mesmo sem concordar com o que está sendo dito. Que deixem suas ideias de mármore um pouco de lado, se abram para novas visões e reflitam sobre elas. Quero que entendam que discordâncias ideológicas e divergência de opiniões não são o fim do mundo. Que ninguém deve ofender ninguém porque um ou outro não concordou que se diz laranja e não cor de abóbora.
Que as pessoas interajam mais, falem mais, chorem no ombro de colegas, caso necessário. Na maioria dos casos, a introspecção não é uma coisa boa.
Quero que nos preocupemos cada vez menos com o alheio, no que diz respeito a frivolidades. O corpo, a roupa, o sexo, a cor, o corte de cabelo, o tamanho dos lábios.
Desejo também que nossos medos se tornem fracos e quebráveis, porque só assim conseguiremos lutar pelo que acreditamos e pelo que desejamos.
Desejo mais sexo a todos,
Desejo menos medos
E mais desejos.
Assinar:
Postagens (Atom)

